Parto no Hospital Lusíadas – a minha experiência real

O parto é um dos momentos mais marcantes da vida de uma mulher. Principalmente o primeiro.

Cada experiência é única e profundamente pessoal. Por isso, decidi escrever este artigo para partilhar a minha experiência de parto no Hospital Lusíadas. Espero poder ajudar outras mães que estejam a ponderar esta opção ou simplesmente que queiram ler um relato real e honesto.

Porque escolhi o parto no privado?


A escolha pelo parto no privado acabou por ser bastante natural para mim. Em primeiro lugar, tinha um bom seguro de saúde. Isto é, cobria grande parte dos custos associados à maternidade. Assim, tornou esta opção financeiramente viável e tranquila.

Além disso, eu já era acompanhada por uma obstetra no setor privado. Era alguém em quem confiava plenamente e que me transmitia tranquilidade. Portanto, manter a mesma médica trouxe-me uma enorme sensação de continuidade e confiança.

Hoje, olhando para trás, considero que esta foi uma das melhores escolhas que já tomei. Principalmente, porque o meu parto aconteceu durante a Páscoa. Na altura, o setor público estava um verdadeiro caos. Além disso, saber que estava num ambiente mais calmo, organizado e com uma equipa dedicada permitiu-me viver o momento com muito mais tranquilidade.

Mas, sem dúvida, o fator mais importante de todos: termos um quarto privado. Poder estar num espaço só nosso e, acima de tudo, ter o Hugo comigo o tempo todo foi absolutamente essencial. Tê-lo comigo, sem restrições de horários ou visitas, deu-me um apoio emocional enorme. Na verdade, era isto que mais temia e ainda temo no parto. Ter que ficar sem o apoio do Hugo, assusta-me. Portanto, sem duvida, que isto tornou a experiência muito mais especial, íntima e humana.

O acompanhamento durante a gravidez

Como já referi, antes da gravidez, eu já era acompanhada por uma obstetra no setor privado. No entanto, por motivos pessoais, a minha médica não realizava partos. Assim, na fase final da gravidez, acabou por “transferir-me” para outra médica da sua confiança, no Hospital Lusíadas.

Desde as primeiras consultas, senti-me verdadeiramente ouvida e acompanhada por ambas as médicas. Nunca houve pressa: todas as minhas dúvidas foram esclarecidas e, acima de tudo, transmitiram-me sempre muita tranquilidade. Este acompanhamento consistente foi essencial para que chegasse ao dia do parto mais confiante e serena.

Na fase final da gravidez, as consultas de rotina passaram a ser realizadas com maior frequência. Portanto, para quem não conhece o hospital, esta também é uma fase importante para a habituação.

Visto que durante a gravidez, existe tanta incerteza e descoberta do desconhecido. Pelo menos, poder conhecer o espaço onde tudo vai acontecer traz alguma segurança. Por exemplo, essa familiaridade ajudou-me bastante a criar uma sensação de conforto, tranquilidade e confiança.

Quanto às consultas, começavam com um check-up inicial feito por uma enfermeira. Em primeiro lugar, media o meu peso e a tensão arterial. Em seguida, a equipa realizava o CTG e, por fim, eu tinha a consulta com a médica.

Durante estas consultas finais, a minha médica realizou uma quarta ecografia. Dessa forma, tivemos dados atualizados sobre o peso e comprimento do bebé. Os valores apontavam para um bebé grande. Portanto, marcámos a indução para o final da 39.ª semana, sempre com o objetivo de garantir o melhor para mim e para o bebé.

O dia do parto no Hospital Lusíadas

Na manhã marcada, fomos para o hospital e a equipa instalou-nos logo no quarto. Sabíamos que aquele seria o dia em que a nossa vida ia mudar para sempre.

Após a indução, comecei a fazer alguns exercícios na bola de pilates. Isto é, na tentativa de ajudar o processo a evoluir naturalmente. No entanto, pouco tempo depois, uma enfermeira entrou no quarto porque o CTG estava a apresentar valores preocupantes.

Pediram-me para me deitar na cama, avaliaram a situação. Mais tarde, tentámos voltar a levantar-me. Infelizmente, o mesmo cenário repetiu-se. A minha médica explicou-nos com muita calma que o bebé estava a entrar em stress fetal. Além disso, deu-nos a sua opinião de forma clara e honesta. Eu e o Hugo não hesitámos: decidimos avançar para uma cesariana.

Tudo aconteceu muito rápido. No espaço de cerca de 15 minutos, estávamos a caminho da sala de cirurgia. Por um lado, foi um verdadeiro choque emocional. Quando idealizamos um parto vaginal, sabemos que é um processo que pode demorar horas. Ali, de repente, tudo muda. Num instante, passamos de uma espera tranquila para a certeza de que, em poucos minutos, teríamos o nosso filho nos braços.

Lembro-me perfeitamente de estar sentada a levar a anestesia e pensar: “Isto é real. Vai mesmo acontecer agora.”

Estive o tempo todo a tremer, uma mistura de frio e nervosismo. Mas o nosso Gabriel nasceu saudável, e tudo isso deixou imediatamente de importar. Foi, acima de tudo, uma experiência muito positiva e tranquila.

Depois de o avaliarem, colocaram-no logo no meu colo e nunca mais fomos separados. Depois, ajudaram-me imediatamente na amamentação e ele saiu da sala de cirurgia já a mamar. Por fim, fomos os três para o recobro. Aquela primeira hora em família, para assimilar tudo o que tinha acabado de acontecer.

O que o hospital fornece depois do parto

Uma coisa que me surpreendeu muito positivamente foi tudo aquilo que o hospital fornece após o parto. Honestamente, levei muito mais coisas na mala do que aquilo que acabei por usar.

Para a mãe, o hospital disponibiliza cuecas descartáveis, pensos adequados ao pós-parto e até uma camisa de noite. Acabei por usar quase sempre a roupa do hospital, porque era realmente cómoda e facilitava muito o dia a dia.

Para o bebé, existe sempre um kit que é disponibilizado durante o internamento (a marca pode variar). Este kit tem toalhitas, fraldas, resguardos e outros essenciais. Há sempre material disponível e nunca sentimos falta de nada.

Na prática, quase não utilizei o que levei na mala. Para quem está a preparar a mala da maternidade, este é um ponto importante a ter em conta. Especialmente para evitar levar coisas desnecessárias.

Custos do parto no hospital privado

Uma das questões que mais dúvidas levanta quando se fala em parto no privado são, sem dúvida, os custos.

Para quem não tem seguro de saúde é importante ter uma noção dos valores praticados. De forma muito geral, os custos no setor privado rondam:

  • Parto vaginal: entre 3.500€ e 5.000€
  • Cesarianas: entre 5.000€ e 7.000€
  • Diárias adicionais / estadia do acompanhante: cobradas à parte

Estes valores incluem normalmente o internamento. No entanto podem não incluir honorários médicos específicos ou extras. Portanto é fundamental pedir um orçamento detalhado antes do parto.

No meu caso, eu era beneficiária da ADM. Portanto grande parte das despesas associadas ao parto ficaram cobertas. De outra forma, não teria sido um opção tão acessível.

Relativamente ao parto em si, acabámos por pagar 300,51€ pela cesariana.

Além disso, um dos custos adicionais foi a estadia completa do pai, que não estava incluída. No total, pagámos 210,00€ pelas diárias do pai (70€/noite). Estarmos juntos, num quarto privado, durante todo o internamento fez uma enorme diferença emocional. É por isso que, para nós, este foi um custo que valeu totalmente a pena.

Quanto às refeições do pai, optámos por mandar vir comida de fora. Os preços praticados pelo hospital eram elevados. Portanto acabou por ser significativamente mais económico recorrer a delivery.

O que mais valorizo nesta experiência

O que mais marcou a minha experiência foi, sem dúvida, o cuidado humano. Isto é, a disponibilidade da equipa e a sensação constante de segurança. Poder viver o parto num ambiente onde me senti respeitada, ouvida e verdadeiramente acolhida fez toda a diferença a nível emocional.

Em primeiro lugar, o Hospital Lusíadas tem um ambiente clean, moderno e agradável. Além disso, o quarto privado oferece um espaço de silêncio e privacidade. Estas condições oferecidas contribuíram para que tudo fosse vivido de forma muito mais tranquila. Ter um espaço confortável permitiu-me descansar melhor, recuperar com mais calma e focar-me no que realmente importa: o meu bebé.

Um dos aspetos que mais valorizo foi, sem dúvida, o facto podermos estar juntos o tempo todo. Para mim, este apoio contínuo foi essencial. Acredito, sinceramente, que contribuiu para que o pós-parto fosse vivido com mais leveza, segurança e serenidade.

Quanto ao pós-parto foi também marcado por um enorme apoio da equipa de enfermagem. Desde os cuidados comigo até ao acompanhamento da amamentação, senti que nunca estive sozinha. Portanto tornaram este período, naturalmente exigente, muito mais fácil de atravessar.

Mesmo depois de regressarmos a casa, continuámos a sentir esse cuidado. Recebemos algumas chamadas para saber se estava tudo bem, um gesto simples, mas que demonstra uma preocupação genuína e que me fez sentir acompanhada também fora do hospital.


Conclusões

Espero que o meu testemunho possa ajudar outras mulheres. Tanto a sentirem-se mais confiantes nas suas decisões como a prepararem-se emocionalmente para este momento tão especial.

O parto é um momento único e inesquecível. Olhando para trás, sinto gratidão por ter vivido esta experiência de forma positiva e serena.

Recomendo o parto no privado?

Cada mulher e cada família têm necessidades e realidades diferentes. No meu caso, a experiência no Hospital Lusíadas superou as expectativas e foi uma escolha da qual não me arrependo.

Para quem valoriza conforto, acompanhamento próximo e tranquilidade, o parto no privado pode ser uma excelente opção. Mas a verdade é que eu não conheço a realidade do parto no público.

Portanto, se já passaste por um parto no privado ou/e no público, adorava ler a tua experiência nos comentários. Cada história é única e pode ajudar outras mães que estão a viver esta fase.

Até à próxima encrenca!

Este artigo reflete exclusivamente a minha experiência pessoal no Hospital Lusíadas. Outras pessoas poderão ter vivências diferentes, consoante o contexto e a equipa.

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